Árbitro é agredido covardemente em partida do Amador Paraisense

Marcelo foi agredido por sete jogadores do Vila Real. Foto: Igor Reis/Vale do Aço Esportes

Infelizmente nos campo de futebol de várzea a violência ainda continua. Quando as agressões não são entre os atletas, quem sofre com elas são os árbitros, que estão lá a trabalho. Neste fim de semana, a vítima foi o árbitro da Liga de Desportos de Ipatinga (LDI), Marcelo Ramos, que foi covardemente agredido por sete jogadores em uma partida do Campeonato Amador de Santana do Paraíso.

As agressões se culminaram na partida entre Vila Real x Independente, na categoria Aspirante, do Amador local. O jogo seguia normal, com o Independente ganhando de 2 a 1. Até que, os 47 minutos da segunda etapa, uma falta contra a equipe do Vila Real acirrou os ânimos dos jogadores do Vila, dando início a confusão.

O árbitro esteve hoje na sede da entidade, para entregar a súmula do jogo, e conversou com o VALE DO AÇO ESPORTES explicando o triste acontecimento. “Tudo começou com uma falta que marquei do zagueiro sobre o atacante do Independente. A partir daí o atleta veio em minha direção para reclamar da marcação. Com isso vieram os outros jogadores todos em cima de mim. Logo em seguida começaram as agressões. Foram chutes, socos, pontapés e vários xingamentos. Nisso eu fiquei em uma sinuca de bico, não tinha saída, foi inevitável sair ileso daquela situação. Fui agredido diversas vezes pelos atletas da mesma equipe. Conseguimos identificar sete atletas que participaram das agressões. Em seguida, quando tudo já estava apaziguado, alguns atletas voltaram para tentar me agredir novamente. Foi uma situação muito chata e muito complicada, que não desejo para ninguém”, relatou Marcelo.

Quando questionado sobre a segurança para a realização da partida, Marcelo explicou que não havia posicionamento e disse às medidas que tomou após a consumação do fato. “Não tinha policiamento durante a partida. A Polícia Militar chegou depois da confusão, após serem acionados, durante as agressões. Foi registrado um boletim de ocorrência e posteriormente veremos o que pode acontecer (se referindo a processo contra os agressores)”, disse.

Marcelo conta que na maioria das vezes as agressões começam por uma má interpretação de jogadores, diretores e até mesmo torcedores. E diz que as agressões dificilmente serão esquecidas. “Quando a gente sai de casa, nós vamos para fazer parte de um trabalho, de um lazer de várias pessoas naquele instante. Não vamos com a intenção de prejudicar time A e nem B. Às vezes, na visão de alguma pessoa, pode acontece de alguns erros, que eles acham que podem tomar esse tipo de atitude. Porém, da forma como aconteceu, covardemente, não há nada que apague isso da memória. Como também não há justificativa para esses fatos”, contou o árbitro.

No Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD) há várias brechas, que fazem com que a punição para atletas que agridem árbitros sejam reduzidas. Um exemplo é o atacante Dudu, do Palmeiras. Em 2015, após agredir o árbitro Guilherme Ceretta de Lima, na partida da final do Paulistão, o atacante teve sua pena reduzida pelo TJD-SP de 180 dias, para apenas seis partidas.

Acontecimentos como estes acabam contribuindo para a impunidade. Segundo Marcelo, as penas do CBJD deveriam ser mais pesadas, para evitar que se repitam. “Eu acho que as punições deveriam ser mais severas nesse quesito. Quando você leva apenas um empurrão, por alguma razão, é uma coisa. Mas, quando você é agredido por sete atletas, da forma como aconteceu, vindo sete agressores contra uma pessoa, desferindo chutes, socos, pontapés, voadoras. Isso é uma situação lamentável. No Brasil inteiro vemos situações como essas. Acho que necessita ter mais rigor nas leis, para que essas pessoas sejam punidas severamente e não venham a cometer os mesmos erros”, pontuou Marcelo.

Segundo informações, o time do Vila Real, na categoria Aspirante, foi eliminado da competição. Pois, de acordo com o regulamento, em caso de “brigas” o clube é excluído.

Com relação aos atletas, a súmula de jogo, após análise do Departamento técnico será encaminhada ao TJD. No tribunal, o procurador analisará a súmula para formular as denúncias contra os agressores.

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