Betinho Valério: O piloto ipatinguense da Stock Car


Piloto da Hero Motorsport começou nas pistas do Kartódromo Emerson Fittipaldi, em Ipatinga. Hoje, com 31 anos, compete com grandes nomes do automobilismo brasileiro.
Betinho já disputou a F3 e GP2. Agora, o piloto busca se destacar na Stock Car. Foto: Duda Bairros.

A tradicional competição de automobilismo brasileira, a Stock Car, conta nesta temporada com a presença de um mineiro nas pistas. Mais precisamente, um ipatinguense. Trata-se do piloto da equipe Hero Motorsport, Betinho Valério, de 31 anos.

Nascido em Ipatinga, Betinho Valério teve seu primeiro contato com o automobilismo ao assistir o Campeonato Brasileiro de Kart, disputado em 1993, no Kartódromo Emerson Fittipaldi.

No ano seguinte, o piloto começou com as aulas na escolinha de Kart, em Ipatinga, alimentando ainda mais os sonhos para as grandes competições.

Porém, para chegar nessas competições, Betinho não teve tudo de bandeja. O piloto soube ultrapassar as dificuldades para alcançar seus objetivos. “Quando comecei no Kart já havia algumas barreiras. As melhores competições eram disputadas em São Paulo e não tínhamos condições e nem patrocínios para competir lá. As coisas se tornaram mais viáveis quando meu pai foi transferido de emprego, saindo de Ipatinga para Cubatão. A partir daí consegui apoio e pude disputar os principais campeonatos do país”, contou o piloto.

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Betinho é o piloto do carro número 44. Foto: Fábio Davini

Após um período de nove anos no kart, Betinho começou a disputar a Formula Renault Brasil, em 2003. Nas pitas da Formula Renault os resultados vieram e junto surgiu a oportunidade de disputar a Formula 3 Sul-americana, no ano seguinte. O que rendeu a Betinho o título da temporada em 2005, com seu motor Berta, pela equipe Cesário Formula.

Em 2006, o piloto ipatinguense se mudou para a Europa, onde passou a disputar a F-3 Britânica, nas temporadas 2006/2007, lhe rendendo cinco pódios: Dois em Snertteton, na Inglaterra; um em Monza e Mugelo, na Itália e outro em Bucareste, na Romênia.

No ano de 2008 a velocidade aumentou para Betinho Valério, quando estreou na GP2, que é a categoria de acesso à F1. Na GP2, o piloto encontrou com grandes nomes do automobilismo brasileiro e mundial, como Nelsinho Piquet, Lucas Di Grassi, Bruno Senna, Niko Hülkenger; Romain Grosjean; Pastor Maldonado e Kobayashi.

Em seu segundo ano na GP2, Betinho conseguiu um feito que se orgulha até hoje, a vitória na tradicional pista de Silverstone, na Inglaterra. “Nesse dia eu larguei na segunda posição, atrás do Pérez. Acho que esse foi o momento mais legal da minha carreira”, relembrou.

Betinho permaneceu na GP2 até 2010, quando foi afetado pela crise econômica e perdeu seus patrocínios. Culminando com seu retorno ao Brasil, em 2011. No mesmo ano, o automobilista competiu pela primeira vez na Stock Car, pela equipe Amir Nasr Racing. Na temporada foram apenas três corridas, tendo sua melhor colocação, 16º, na pista de Interlagos.

O PILOTO CELETISTA

Após sua saída da Stock, em 2011, Betinho passou a se dedicar na vida acadêmica, quando iniciou sua graduação em Economia, pela FAAP, e formou-se em 2015, dando início ao seu mestrado em Economia. Paralelamente aos estudos, Betinho começou a trabalhar na área de investimentos no banco Citibank, onde atualmente é analista sell-side.

Lado a lado com seu emprego, o piloto divide sua vida profissional com as pistas, na Stock Car, quando surgiu a oportunidade nesta temporada de comandar o carro 44 da Hero Motorsport. “A oportunidade de voltar a Stock Car surgiu no ano passado. Foi nas corridas de Endurance da Porsche, quando fui muito bem nas provas e com isso abriu novamente as portas para disputar a principal categoria do automobilismo nacional”, explicou Betinho Valério.

PRÓXIMA PROVA
Neste fim de semana, o piloto competirá na etapa de Londrina, na Stock Car. O treino classificatório será no sábado, às 13h. Já a corrida será na tarde de domingo.

O torcedor pode dar mais velocidade o piloto na corrida de Londrina e o ajudar a ficar entre os primeiros. Para isso basta acessar a página do Hero Push (http://www.stockcar.com.br/#heropush), selecionar Betinho Valério e votar logado no Facebook.

O Push é o botão utilizado para injetar potência no motor e aumentar a velocidade para atacar ou se defender durante a corrida. Os três pilotos mais bem votados receberão a potência de um HERO PUSH.

Confira abaixo alguns trechos da entrevista do Vale do Aço Esportes com o piloto Betinho Valério.

Betinho espera marcar muitos pontos na etapa de Londrina. Foto: Fernanda Freixosa

VALE DO AÇO ESPORTES – Quais são suas principais lembranças da cidade de Ipatinga?

BETINHO VALÉRIONasci em Ipatinga e tenho muito carinho pela cidade, tenho muitos amigos aí. O kartódromo da cidade é o grande culpado pelo meu desenvolvimento no esporte. Lembro-me que o primeiro contato com corrida foi no Campeonato Brasileiro de Kart, que ocorreu na cidade em 1993.

VDE – Você teve o apoio da família para seguir carreira nas pistas?

BVSim, acho que como todo esporte o apoio da família é fundamental, principalmente no kart, que é um esporte que necessita de apoio financeiro. Havia uma troca entre eu e meu pai, onde trocava “paitrocínio” por notas no CSFX.

VDE – Conciliar a vida de trabalho com a paixão pelo automobilismo se torna uma tarefa difícil?

BVSim, acho que sou o único CLT da categoria. Não tenho nenhum apoio da empresa, são duas atividades diferentes, sempre me dedico ao máximo para conquistar meus objetivos nas duas carreiras.

VDE – Como são a preparação e rotina as vésperas das competições?

BVTenho um acompanhamento físico diário e treino quatro vezes por semana, fora treinos com kart . Infelizmente os testes de pistas não são permitidos na Stock Car. Por isso, só ando com os carros nos fins de semana de corrida.

VDE – Como é a concorrência dentro da própria Hero, entre você e o Diego?

BVO Diego é meu companheiro de equipe e um grande amigo. Corremos juntos na GP2 e temos muitas historias em comum. Temos um concorrência saudável e leal. Ele vive um momento diferente na Stock Car, já é experiente e está na categoria há sete anos. Eu estou retornando após seis anos, no meu primeiro ano completo de categoria.

VDE – O que esperar da corrida de Londrina?

BVEstive em Londrina em 2003. Fiz uma corrida de experiência para ingressar na F3, foi muito legal e fomos 5º colocado. Espero marcar muitos pontos e continuar a evolução que tivemos nas duas ultimas classificações.

VDE – Você como um atleticano fanático, carrega algum objeto do alvinegro dentro do carro?

BVJá corri com a camisa do galo por baixo do macacão, mas as regras de seguranças me fizeram mudar para o material anti-chamas. Hoje temos a bandeira nos boxes. Uma que ganhei do ilustre atleticano de Montes Claros, Ademar Bicalho.

VDE – Quais os seus planos para o futuro?

BVEstamos negociando para o próximo ano. Acho que mesmo sem marcar muitos pontos o trabalho feito está sendo reconhecido. Temos grandes chances de estar no Grid em 2018.

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