Fisiologista do América explica importância do trabalho individualizado na pré-temporada


Uma pré-temporada bem feita é essencial para o desempenho de uma equipe durante o ano. Para suportar a rotina de treinos, viagens e jogos que começam no final de janeiro e só terminam em novembro, os jogadores precisam trabalhar de forma intensa para desenvolver habilidades físicas e técnicas que serão determinantes para uma temporada sem lesões e com sucesso em campo.

A ciência é imprescindível para um trabalho eficiente. E por trás de todo esse trabalho está um grupo de profissionais que dão suporte aos atletas. Um dos setores do América que mais trabalha com a ciência do esporte é o Departamento de Fisiologia, dirigido pelo fisiologista Adriano Lima.

Ele fala da importância da pré-temporada e dos cuidados essenciais para prevenir lesões e dar condições para que o atleta possa render seu máximo em campo. “Realmente, a pré-temporada é uma das principais fases. Consideramos que todas as fases são bastante importantes, o período competitivo também. Mas é nesse momento que a gente recebe o grupo e tenta trabalhar da melhor forma possível, para que eles já comecem os primeiros jogos de forma adequada. Sem ter algum risco de lesão, potencializando assim suas capacidades. Nesse período também temos um maior tempo de treinamento, algo muito importante”, observa.

A pré-temporada é também o período em que a fisiologia do Clube realiza diversas avaliações com o grupo para mapear cada atleta. O objetivo é saber qual a carga de treinamento ideal para cada jogador e, para isso, o Coelho conta com ferramentas importantes.  “Vários cuidados são tomados na pré-temporada. Os primeiros passos são as avaliações iniciais, que serve para indicar o quanto nós podemos exigir daquele atleta. E durante os treinamentos nós temos algumas ferramentas para monitorá-los, para saber como aquele atleta está se desgastando nas atividades. Nós temos, por exemplo, um aparelho que nos permite avaliar a frequência cardíaca em tempo real dos jogadores e saber a demanda cardiovascular que o atleta está sofrendo”, explica Adriano.

TRABALHO INDIVIDUALIZADO

adriano limaEsse “mapa” de cada atleta também serve para um direcionamento nas atividades que serão realizadas por cada jogador durante os treinos. Adriano destaca, por exemplo, que no elenco americano os jogadores tiveram um período diferente de férias.

Ano passado, alguns jogaram a Série C e Série B, que terminaram mais cedo; outros a Série A, que se estendeu até dezembro. Por isso, o fisiologista ressalta que cada jogador realiza um trabalho específico. “Temos atletas que vieram de competições como a Série A, B e C. Os campeonatos terminaram em épocas diferentes. A Série A terminou em dezembro, a Série B na última semana de novembro e a Série C um pouco antes. Então o tempo de férias de cada atleta foi diferente. Dessa forma, a gente realiza as avaliações físicas na pré-temporada e identifica o que cada atleta necessita, se algum tipo de trabalho específico, para ele poder evoluir e iniciar bem a temporada”.

O fisiologista americano também detalhou mais como esse programa de trabalho individualizado é pensado e destacou a integração com outros profissionais do Clube, principalmente do setor de nutrição. “Identificamos as individualidades dos jogadores, as carências e o que cada atleta precisa mais de fazer em termos de trabalho físico e alimentação. Então eles passam por avaliações médicas e físicas no Departamento da Fisiologia. E também passam por uma avaliação nutricional, que é realizada pela nossa nutricionista Aline Cipriano. Assim, a gente identifica o que cada atleta precisa em termos de suplementação, em termos de trabalho físico, porque a gente sempre precisa trabalhar mais um ou outro. Um treino específico de força muscular ou resistência aeróbica, por exemplo. Tentamos individualizar cada vez mais esses trabalhos”, complementa.

TREINOS COM BOLA
Um aspecto que chama atenção na pré-temporada americana são os trabalhos com bola, que iniciaram logo nos primeiros dias. Adriano Lima explica que, em outras épocas, o pensamento era de se trabalhar somente a parte física nos primeiros dias de pré-temporada, mas destaca que estudos já comprovaram que a presença do trabalho com bola já no começo da preparação é mais recomendado. “Há muito tempo atrás as pré-temporadas eram diferentes. As equipes se apresentavam e às vezes ficavam de sete a dez dias treinando sem bola. Mas a ciência evoluiu bastante e muitos estudos já nos dizem que os trabalhos realizados com bola com pequenos jogos têm um estímulo físico muito forte e interessante para a preparação física. Com esse trabalho com bola você desenvolve bem a parte física e em conjunto a parte técnica também acaba sendo evoluída. Isso nos permite fazer uma pré-temporada mais eficiente”, conclui o fisiologista americano.

Fotos: ACS América

Comentários