Jogadoras do Ipatinga se revoltam com declarações do presidente e afirmam que vão a campo contra o América

A declaração do presidente do Ipatinga Futebol Clube, Almir Azevedo, repercutiu de forma negativa entre as atletas do time. Em uma publicação no Facebook, Almir, revoltado com a arbitragem na última partida, comentou que o Ipatinga não iria a campo no jogo de volta da final do Campeonato Mineiro Feminino, contra o América, domingo, no Baleião. Ao tomarem ciência do fato, as atletas trataram de se posicionar de forma contrária a decisão, afirmando que estarão em campo e buscarão o bicampeonato.

A revolta, devido o posicionamento do presidente, expôs a triste realidade vivida pelo futebol feminino em todo o país, no qual atletas são cobradas como jogadoras que sobrevivem através do futebol e vivem como atletas amadoras, sem apoio ou remuneração dos clubes. No dia a dia, as jogadoras têm de conciliar o emprego, os estudos, a vida familiar, com a atividade profissional.

fotos-editadasUm exemplo claro das dificuldades foi presenciado pelo VALE DO AÇO ESPORTES. Ao final do jogo contra o Manchester, que começou as 19h30 e valeu a classificação para a final. Logo após o encerramento da partida, a goleira Elizângela teve que ir correndo para o vestiário, se trocar, e sair as pressas, pois iniciaria sua jornada de trabalho às 23h.

Segundo informações repassadas por uma atleta, que pediu para não se identificar, o time vive de ajuda de terceiros. “O ônibus que viajamos é doado pela prefeitura, a alimentação é por conta da treinadora, a chuteira é doada pela treinadora, isso quando nós mesmas não compramos. Diferente do futebol masculino, temos que trabalhar para nos manter e disputar o campeonato”, relatou uma atleta.

A meio-campista Jaqueline, demostrou sua indignação com o fato, por meio das redes sociais, e lembrou que é a equipe feminina do Ipatinga que tem trazido alegria ao torcedor, já que a masculina foi rebaixada à 2ª Divisão do Mineiro. “Isso é uma vergonha. O Ipatinga Futebol Clube não deu um centavo se quer para a nossa equipe do feminino e agora quer tirar a nossa alegria de disputar mais uma final, coisa que o time masculino nem sabe por onde anda. E nós vamos jogar sim. Nunca tivemos apoio do clube, o apoio vem de nós mesmo. Ele (o presidente) não acompanha os jogos, não vai nas viagens e acha que tem o direito de falar isso depois da luta que estamos tendo?”, ponderou Jaqueline.

A volante Tai Ferreira relembrou que é a segunda vez que o time vai a final do campeonato e que é um motivo de orgulho para todas as atletas disputar mais uma decisão do Mineiro. “Nós levamos o nome do Ipatinga, somos o único grupo que dá orgulho a essa marca e à torcida, sem receber nada em troca. O time feminino não dá gasto para o clube, aliás, a gente gasta pra jogar. E nós queremos e vamos jogar sim, pois nossa honra é muito maior”, declarou Tai.

O Vale do Aço Esportes, tentou contato com a técnica da equipe, Kethleen Azevedo, mas não obteve sucesso até a publicação desta reportagem.

O jogo da decisão do Campeonato Mineiro Feminino será realizado neste domingo, às 16h, no Complexo Esportivo do Aglomerado da Serra, em Belo Horizonte, local onde está localizado o Baleião. O América tem a vantagem de jogar por uma derrota por um gol de diferença, pois venceu o jogo de ida por 1 a 0 e fez melhor campanha na primeira fase. Já as Tigresas de Aço precisam vencer por dois gols de diferença para conquistarem o bicampeonato.

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