Time feminino do Ipatinga é denunciado no TJD e punições podem ultrapassar R$ 100 mil

Os incidentes relatados em súmulas dos jogos do Ipatinga, como mandante, no Campeonato Mineiro Feminino, podem trazer grandes consequências negativas, tanto nos cofres do clube quanto a perda de mando de campos. Os incidentes no jogos contra Manchester, na semifinal, e América, na final, serão julgados na próxima terça-feira (22), pela Primeira Comissão Disciplinar do Tribunal de Justiça Desportiva (TJD), da Federação Mineira de Futebol.

Caso de racismo
O fato mais grave que o Ipatinga enfrentará no tribunal é o acontecido no jogo contra o Manchester, no qual a atleta da equipe adversária, Ana Paula, foi vítima de ofensa racial, cometida por torcedores, no decorrer da partida, conforme relatado em súmula, pelo árbitro João Luiz Gomes Neto: “Aos vinte minutos do 2º tempo de jogo, ouvi e fui alertado (de forma simultânea) pela atleta de nº 08 da equipe do Manchester Futebol Clube, a Sra. Ana Paula Moreira dos Reis, sobre insultos raciais sofridos pela mesma. Os insultos partiram da arquibancada onde se encontrava a torcida do Ipatinga FC, foi possível ouvir os seguintes dizeres: “macaca…macaca…”, não sendo possível identificar o responsável pelo ato. Ao termino da partida fui informado que a atleta supracitada, acionou a Policia Militar e registrou um Boletim de Ocorrência (nº CIAD/P-2016-75024899) relatando os devidos fatos”.

Por esse acontecimento, o Ipatinga foi denunciado no art. 243-G § 1º e § 2º do CBJD. Com isso o clube pode ser punido com a perda de três pontos, além de multa de R$ 100 a R$ 100 mil.

Em 2014, no jogo da Copa do Brasil entre Grêmio e Santos, o goleiro Aranha foi vítima de ofensa racial. O Grêmio foi denunciado no STJD, no artigo 243-G e condenado a multa de R$ 50 mil, além da perda de três pontos na partida, o que resultou sua eliminação da competição.

Racismo nãoEm sua página no Facebook, o Ipatinga Futebol Clube, após o incidente, manisfestou solidariedade a atleta e repúdio as ofensas: “O IPATINGA FUTEBOL CLUBE repudia e condena qualquer forma de discriminação e presta solidariedade a atleta Ana Paula Moreira dos Reis. E deixa claro que independente de quem seja o torcedor que fez isso e no momento não foi possível identificar, nós do Ipatinga não apoiamos essa atitude e a própria diretoria do clube incentivou a chamada da policia para a abertura do boletim de ocorrência. No mais, lamentável, pois foi um grande jogo de muita emoção pra terminar com esse episódio. Para deixar claro o respeito e admiração do Ipatinga pela a atleta envolvida, Ana Paula foi convidada no início do ano a participar do elenco do Ipatinga, negociação que não deu certo (sic)”, dizia a publicação.

Ainda no mesmo jogo, o Ipatinga foi denunciado no art. 213 III do CBJD, pelo lançamento de uma lata de cerveja dentro de campo, podendo ser punido com multa de R$ 100 a R$ 100 mil.

Ipatinga x América
No primeiro jogo da final, disputado no campo do Iguaçu, o tumulto generalizado após o jogo rendeu várias denuncias no tribunal. A treinadora do Ipatinga Kethleen Azevedo e a atleta do América, Bruna Santos, foram denunciadas no art. 254-A, por praticarem agressão física. Se condenadas, podem ser suspensas de quatro a 12 partidas.  Além das duas, foram denunciados o auxiliar técnico do Ipatinga, Norman Alves, nos artigos 258, 257 e 243-F, e a supervisora de futebol do América, Bárbara Stephanie, nos artigos 258 e 257, do CBJD.  Se condenados nos artigos citados, as penas podem chegar a suspensão de até 16 partidas. E no caso do auxiliar do Ipatinga, denunciado no art. 243-F, a pena é de multa de R$ 100 a R$ 100 mil.

O América Futebol Clube foi denunciado no art. 257. Enquanto o Ipatinga, mandante da partida, foi denunciado em cinco artigos: art. 257 § 3º; 213 III, 213 II, 213 I e 213 § 1º. Se condenado o clube pode perder mando de até 10 partidas e multa de até R$ 120 mil.

Relembre: http://valedoacoesportes.com.br/arbitro-relata-incidente-com-arma-de-fogo-no-jogo-entre-ipatinga-x-america/

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